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O que é a Arquitetura Sustentável?


Mas afinal o que é a Arquitetura Sustentável?

De uma forma geral, hoje em dia quando se pensa em Arquitetura Sustentável pensa-se em edifícios alimentados a energias renováveis e em soluções tecnológicas altamente eficientes energeticamente.

E se eu vos disser que é preciso zero tecnologia para fazer arquitectura sustentável?

Antes de mais, importará relembrar que quando se fala em sustentabilidade, fala-se num conceito que abrange muito mais que ecologia. Porque para se ser sustentável não basta apostar em soluções amigas do ambiente quando os fatores económico e social não são abrangidos.

Por exemplo, um edifício que utilize materiais ecológicos, mas que não remunere dignamente os seus trabalhadores ou não respeite os traços culturais onde se insere, não será um edifício sustentável.

Falaremos então dos três fatores da sustentabilidade (ecologia, sociedade e economia) aplicados ao panorama arquitetónico:

 

N í v e l  E c o l ó g i c o

Quando se fala de ecologia aplicada à arquitetura, os materiais construtivos são o assunto principal. Estes podem ser analisados graças ao seu fabrico ou à sua durabilidade.

Qualquer material que sofra processos industriais requer a extração de determinadas matérias primas e uma emissão de CO2 durante o seu fabrico. A produção de betão, um dos materiais mais usados na construção convencional, para além do consumo de muita água, requer uma grande quantidade de areia que ao ser extraída intensivamente não só destrói a paisagem, como os ecossistemas dos sítios de extração.

Para além destes fatores, o processo de fabrico do betão é responsável por grandes emissões de CO2 que juntamente ao transporte deste produto e aos fatores a cima referidos, o tornam um material construtivo altamente insustentável, ainda que bastante barato e largamente usado em todo o mundo. Hoje em dia fala-se muito (e bem) sobre o impacto de reduzir o consumo da carne nas emissões globais de CO2. Mas e se falássemos também na redução de consumo do betão?

N í v e l  E c o n ó m i c o

A nível económico, podemos olhar para a arquitetura enquanto potencial geradora de emprego mas também como uma área consumidora, uma vez que requer o uso de tantos materiais.

Enquanto geradora de emprego, é importante que o pessoal empregue seja devidamente remunerado e que capacite sempre que possível a economia local. Quanto aos materiais, um fator importante a ter em atenção é a proveniência do mesmo.

Assim como hoje em dia cada vez mais gente está sensibilizada para comprar roupa de marcas locais/nacionais (espreitem o site da 14 graus!), o mesmo se deveria refletir no setor da construção.

Outra forma de exponenciar a parte económica de um edifício é apostar em técnicas artesanais que valorizem mais o trabalhador do que o material. Ao invés de aplicar dinheiro em elementos fabricados em série, com pouca personalidade, poderemos aplicar esse mesmo dinheiro em pessoas que através da sua arte nos poderão retribuir com peças únicas, feitas à medida e portadoras de um carácter inigualável.

 

N í v e l  S o c i a l

A arquitetura é para a sua comunidade acima de tudo um símbolo identitário. É também através dos seus edifícios que uma determinada cultura se afirma e se define. Por este mesmo motivo, é importante que o desenho de um determinado edifício tenha isto em atenção e que faça com que o mesmo respeite a envolvente onde se insere.

Quando se aposta em métodos construtivos que valorizam mais os trabalhadores que o material, também temos a oportunidade de contribuir diretamente para a educação dos mesmos, que de futuro poderão utilizar as técnicas aprendidas noutros projetos.

É deste modo que contribuímos para a utilização, propagação e para o progresso das técnicas construtivas tradicionais que sendo adaptadas às necessidades contemporâneas, saberão responder ainda assim a questões de manutenção e restauro de património.

 

Mas então como posso tornar o meu edifício sustentável?

Acredito que a forma mais correta de tornar um edifício sustentável passa por utilizar materiais naturais abundantes no local de construção como terra, madeira, fibras ou cortiça.

Para além do fator ecológico que transparece pelo facto de serem matérias que não necessitam de fabrico, têm também a grande vantagem de serem facilmente devolvidos à natureza sem causar nenhum dano, relembrando que os edifícios não têm nem vão servir o seu propósito para sempre.

Ao utilizar-se materiais locais, poupar-se-á também nos transportes e poder-se-á também investir em técnicas construtivas locais que têm como base estes mesmos materiais e que normalmente respondem eximiamente às problemáticas climáticas da zona.

Por exemplo, a taipa (método construtivo de blocos de terra comprimida) no Alentejo, com as suas grossas paredes de terra caiadas de branco, permite uma grande qualidade térmica interior.

Durante o verão, mantém as divisões frescas, e durante o inverno isola estas mesmas divisões dos meses mais frios, obtendo uma temperatura interior estável durante todo o ano sem o auxílio de qualquer tecnologia.

"Eu sou defensora que o uso da terra enquanto material construtivo, seria a maior solução construtiva para uma arquitetura sustentável a nível global. Isto porque, se trata de uma matéria prima gratuita, facilmente disponível em quase todo o mundo que contem inúmeras vantagens arquitetónicas."

Dada a sua flexibilidade, pode ser aplicada sob a forma de diversas técnicas e poderá adaptar-se a inúmeras identidades culturais. Ainda aporta benefícios para a saúde humana uma vez que melhora significativamente a qualidade do ar dos espaços interiores e é um material que se adapta tanto aos climas mais frios como aos climas mais quentes.

Na verdade, construir com terra não é novidade nenhuma, muito menos em Portugal. Faz parte da história arquitetónica de muitos países desde os primórdios da humanidade. Infelizmente, materiais construtivos como a terra, caíram em desuso graças à facilidade em adquirir materiais como o betão ou o tijolo após a revolução industrial e com esta evolução, todos os benefícios dos materiais naturais se têm vindo a perder.

Os edifícios são por si só o segundo maior consumidor de energia em toda a UE, deixando-se apenas ultrapassar pelo setor alimentar (EU, 2019) e é por este mesmo motivo que falar de arquitectura sustentável é tão importante. Dependerá de todos alterar este panorama e espero que as minhas palavras vos tenham ajudado a ganhar um novo sentido crítico sobre a vossa casa, a vossa cidade e o nosso planeta!

 

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Escrito por Bárbara Miranda

Arquiteta pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, estagiária no Studio Anna Heringer e a terminar pós-graduação em Arquitetura Sustentável na Kunstuniversität Linz. Instagram: @barbara_cmir



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