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Óleo de Palma - A Destruição das Florestas Tropicais


Teresa Pinho | 14ºC

O que é o Óleo de Palma?

O óleo de palma é um óleo vegetal extraído do mesocarpo (fruto) das palmeiras-de-óleo, de nome cientifico Elaeis guineensis.

As plantações são pouco exigentes a nível de qualidade do solo, podendo crescer em qualquer floresta tropical. Existem plantações em África e na América do Sul, porém, 84% da produção provém da Indonesia e Malásia.

O seu teor em gorduras saturadas é semelhante ao da manteiga, maior do que o do azeite de oliveira, mas menos do que outros óleos como o de girassol.

Deste modo, a ideia de que seria mais saudável foi rapidamente ultrapassada, visto que uma dieta rica em gorduras saturadas tende a aumentar o colesterol LDL (“mau” colesterol) e aumentar a prevalência de doenças cardíacas e cancros.

Afinal, qual é o problema do Óleo de Palma?

Apesar deste tópico já ter sido assunto controverso em tempos, foi deixado de parte – não tendo tido a devida atenção que deveria - considerando que é usado todos os dias em todo o mundo e tem um efeito nefasto a inúmeros níveis: da natureza à saúde.

Ainda que seja um tema conhecido e de já haver bastante legislação e alternativas, o consumo de óleo de palma subiu, entre 2015 e 2021, de 59 mil toneladas por ano para 75 mil toneladas.

A pegada ecológica do óleo de palma é tal, que as plantações destas palmeiras contabilizam 10% das plantações mundiais, sendo que cerca de 3 mil milhões de pessoas utilizam diariamente produtos que contem este óleo, estimando que cada pessoa consome 8kg de óleo de palma por ano.

Vantagens

As vantagens deste ingrediente saltam à vista, daí ser tão usado mundialmente. Em primeiro lugar, tem um custo extremamente baixo e tornou-se muito popular em países em desenvolvimento da Ásia para uso alimentar.

Como tem um ponto de fusão de 37ºC, mantém a consistência de produtos da categoria das manteigas (creme cacau, manteiga de amendoim) à temperatura ambiente, bem como é o principal componente na cosmética - cremes, batons, géis de banho de barbear.

Para além disso, o preço competitivo faz com que este tenha uma vantagem acrescida sobre os outros biocombustíveis (óleo de soja, girassol, entre outros). É uma planta perene, conferindo uma enorme vantagem, permitindo produção continua durante o ano.

Desvantagens

No entanto, as desvantagens são assustadoras. O maior impacto desta industria verifica-se a nível ecológico. Em que cerca de 27 milhoes de hectares são ocupados por estas plantações, o equivalente à área da Nova Zelândia, sendo a desflorestação o seu pior efeito.

Mas porque é que é mau, se substituem árvores por árvores?

Ecossistemas inteiros diversos, em termos de fauna e flora, dão lugar a estas árvores, com um tempo de vida de aproximadamente 25 anos até voltarem a ser removidas e replantadas, em contraste a florestas subsistentes durante milhares de anos.

E como é o processo?

A maneira mais rápida, barata e eficaz de desocupar uma floresta tropical é queimá-la. As árvores, que consomem dióxido de carbono (CO2) e libertam oxigénio (O2), quando queimadas, libertam gases de efeito de estufa para a atmosfera - aumentando a poluição atmosférica, a temperatura do planeta e potenciando outras alterações climáticas.

Em acréscimo, as florestas tropicais tem uma imensa quantidade de turfa acumulada no solo (material de origem vegetal, rico em carbono, que dá origem ao carvão), que quando incendiado é quase impossível de extinguir. A título de exemplo, em 2006, um incêndio de floresta de turfa na Indonésia libertou a mesma quantidade de CO2 que a Alemanha inteira nesse ano. 

A extinção de espécies é outra consequência das plantações de óleo de palma. Com o seu território a ser destruído, várias comunidades indígenas e animais estão a ser ameaçados e ser levados à extinção, como o elefantepigmeu-de-bornéu, o elefante de sumatra, o orangotango do borneu e da sumatra, o tigre de sumatra, o rinoceronte-de-java e o rinoceronte-de-sumatra.

Todas estas espécies estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas. Estas são apenas algumas das 193 espécies que se estima estarem ameaçadas por este problema. Outra vertente obscura e menos conhecida do óleo de palma, é a generalizada violação dos direitos humanos.

Sabias que as mulheres que trabalham nas plantações de óleo de palma são remuneradas com apenas $2 por dia? Esta indústria camufla abusos sexuais, exploração infantil e escravatura.

Ainda sobre a violação dos direitos dos trabalhadores, estes são expostos a químicos tóxicos provenientes das queimadas, pesticidas e fertilizantes incluindo Paraquat, um químico banido na União Europeia.

A Amnistia Internacional encontrou praticas destas no maior produtor de óleo de palma do mundo (43% do total da produção mundial) chamado Wilmer. O consumo de produtos contendo óleo de palma não sustentável incita a continuação deste ciclo vicioso.

MERCADO do ÓLEO DE PALMA

Por ser um assunto que afeta o planeta e a todos nós diariamente, a WWF criou uma ferramenta útil para sabermos como se classificam as empresas cujos produtos utilizamos, em termos de sustentabilidade do óleo de palma que utilizam: http://palmoilscorecard.panda.org/

LEGISLAÇÃO

A RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil) é uma ONG (Organização Não Governamental) que une stakeholders de 7 setores da indústria do óleo de palma:

produtores, processadores, consumidores, retalho, banca/investidores e ambientalistas para desenvolver e implementar padrões sustentáveis para o óleo de palma. As empresas devem cumprir com os critérios necessários para serem considerados CSPOs (Certified Sustainable Palm Oil).

SÓ 19% DOÓLEODE PALMA MUNDIAL É CERTIFICADOPELO RSPO

 

O QUE PODEMOS FAZER?

O mais aterrorizante é que é imensuravelmente difícil não o consumir – por falta de alternativa, de conhecimento ou por ser camuflado com outros nomes.

O que o consumidor não sabe, a maior parte das vezes, é que está a comprar um produto que contem óleo de palma, sendo que de cerca de 200 ingredientes o contem e apenas 10% são descritos com a palavra “palma”.

A opinião de como se deve proceder é ainda muito controversa. Há quem defenda a abolição deste produto, mas muitos argumentam que, para além de quase impossível, é mais insustentável substitui-lo por outros produtos (por exemplo, que a mesma quantidade de plantações para produzir óleo de soja seria igualmente ou mais prejudicial). Para além disso, as consequências a nível socioeconómico seriam também muitas.

Podes encontrar mais informações em:

https://www.iucn.org/resources/issuesbriefs/palm-oil-and-biodiversity

O que mudar no nosso comportamento?

1) Ao fazer compras, consulta os componentes utilizados nos produtos e tenta optar por aqueles que não contêm óleo de palma

2) Quando não tiveres alternativas, procura o símbolo abaixo, que significa que o óleo de palma é sustentável:

3) Pesquisa, informa-te e espalha informação sobre empresas comprometidas com o CSPO.

4) Se tens uma empresa, junta-te ao RSPO.

Deixamos-te mais alguns links úteis: https://palmoilalliance.eu/ https://www.wwf.org.au/what-we-do/food/palmoil#gs.8sle0n https://ourworldindata.org/palm-oil

COMEÇA A CONSUMIR SUSTENTÁVEL, COMPRE NA LOJA 14ºC

 



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