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Como comprar alimentos de um forma mais consciente?


O sistema alimentar global atual é responsável pela emissão de 20 a 35% do total de gases com efeito de estufa, ocupando cerca de 40% do solo disponível. Estimando-se que a população mundial seja superior a 9 bilhões em 2050, a produção alimentar terá de aumentar em 60%. Por outro lado, 1.3 bilhões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente, o que corresponde a cerca de 1/3 de toda a produção. (1)

No caso nacional, segundo um estudo (2) publicado em 2020, a alimentação é responsável por 29% da pegada ecológica portuguesa. Aliás, somos o país mediterrânico com a maior pegada alimentar per capita. Ora, a forma como nos alimentamos e como escolhemos e compramos alimentos é uma poderosa ferramenta para reduzirmos a nossa pegada ecológica, para combatermos o desperdício alimentar e para contribuirmos, ao mesmo tempo, para uma sociedade mais justa e para um planeta habitável e sustentável para todos.

Como comprar alimentos de forma (mais) consciente?

Planificar

  • Fazer uma lista de compras, depois de verificar de forma rigorosa a despensa e o frigorífico (REPENSAR), e definir um orçamento.
  • Planificar refeições e porções a confecionar e comprar em função das quantidades exatas a usar nessas refeições (REDUZIR).
  • Conceber um plano de refeições que permita reduzir a aquisição de produtos de origem animal, experimentando novas receitas (com leguminosas, hortícolas, cereais e tubérculos, sementes, frutos gordos, fruta,...) (REDUZIR).
  • Optar por recipientes e sacos reutilizáveis para reabastecimento a granel (REUTLIZAR).

Comprar menos, comprar melhor

  • Evitar ir às compras no horário das refeições ou com fome, de modo a não serem adquiridos produtos alimentares por impulso e não necessários.
  • Privilegiar a compra de alimentos de agricultura não intensiva e que valorize (e regenere) os ecossistemas.
  • Incentivar um sistema de produção e comercialização de alimentos baseado em circuitos curtos agroalimentares, apoiando os produtores locais e nacionais, respeitando a sazonalidade. Os canais de distribuição diretos ou curtos, onde há um número restrito de operadores, são mais sustentáveis, pois garantem uma maior proximidade entre o consumidor e o produtor, um aumento do consumo de alimentos mais frescos, a prática de um valor mais justo pelos produtos e uma redução das emissões de CO2 e do uso de embalagens.
  • Recusar a sobre-embalagem ou embalagens desnecessárias e de uso único.
  • Sempre que possível, comprar a granel, reutilizando recipientes e reabastecendo-se de quantidades exatas que correspondam a necessidades efetivas depois confirmadas na fase de confeção das refeições.

Vantagens de Comprar a Granel

Impacto positivo destas lojas para as comunidades em que estão inseridas do ponto de vista social, ambiental e económico:

  • Acesso a alimentos mais nutritivos e saudáveis (não processados).
  • Controlo das quantidades adquiridas (mais poder para o consumidor) e possibilidade de experimentar novos sabores.
  • Em muitos casos, além da certificação de produção em modo biológico, há também a certificação "fair trade".
  • Enquanto gesto de consumo planificado (quantidades exatas), contribui para a redução do desperdício alimentar.
  • Quando associado à reutilização de sacos e / ou contentores, concorre também para prevenção e redução da geração de resíduos, através da recusa de embalagens de uso único.
  • Atendimento de proximidade (criação de laços e afetos com a comunidade).
  • Fator conveniência (lojas de bairro).
  • Inovação e colaboração com universidades no desenvolvimento de design e acondicionamento disruptivos.
  • Apoio crescente a produtores e fornecedores nacionais.
  • Colaboração com universidades (casos de estudo; estágios;...).
  • Ausência de refrigeração (mercearia seca) e períodos de validade extensos com impacto muito significativo na redução do consumo de energia, água e das emissões.
  • Maior transparência na cadeia.
  • Forte controlo dos princípios HACCP, supervisionados e certificados por entidade externa.
  • Forte sentido de comunidade: eventos, workshops, conferências.
  • Escolher alimentos fora dos padrões estéticos impostos ou calibre habitual, apostando igualmente no seu aproveitamento integral (talos, ramas, sementes,... por exemplo, a rama do alho francês fica deliciosa assada ou salteada).
  • Apoiar projetos e descarregar aplicações de combate ao desperdício alimentar.
  • Ter em conta a validade do produto - a indicação “consumir de preferência até...” significa que o mesmos ainda poderá ser consumido após esse prazo, desde que em bom estado.

Como consumidores, podemos e devemos (ativamente) exigir transparência, rastreabilidade e acesso generalizado a informação validada por organizações competentes e independentes, tornando possível (e fácil) fazer a comparação fundamentada entre produtos, tendo em conta: ciclo de vida do produto, impacto ambiental, social e económico.

Consumir de forma mais consciente é co-criar o futuro em que queremos viver.

COMEÇA A CONSUMIR SUSTENTÁVEL, COMPRE NA LOJA 14ºC

Escrito Por Eunice Maia | Maria Granel BIO – Fundadora da Maria Granel, primeira mercearia biológica 100% a granel e “zero waste store” em Portugal (2015); criadora do Programa Z(h)ero, um projeto educativo ambiental de redução de desperdício para empresas e escolas; Prémio Terre de Femmes 2019 e autora do livro Desafio Zero – um guia prático de redução de desperdício, dentro e fora de casa.

Referências bibliográficas (1) Morawicki RO, Díaz González DJ. Food sustainability in the context of human behavior. Yale J Biol Med. 2018. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6020726/pdf/yjbm_91_2_191.pdf (2) Galli A, Moreno Pires S, Iha K, Alves AA, Lin D, Mancini MS, et al. Sustainable food transition in Portugal:Assessing the Footprint of dietary choices and gaps in national and local food policies.Sci Total Environ. 2020



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